O processo envolvendo o Banco Master originou-se de uma tentativa de venda do banco, pertencente a Daniel Vorcaro, ao BRB (Banco de Brasília). A situação rapidamente se transformou em uma investigação sobre fraudes que podem alcançar bilhões e já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos primeiros dias de setembro de 2026, a crise também começou a afetar a maneira como ministros, a PGR e a PF conduziram ou reagiram às investigações.
A seguir, apresentamos uma cronologia dos eventos mais significativos que culminaram na crise institucional associada a esse caso financeiro.
Dezembro de 2023 — Aproximação entre Vorcaro e Moraes
Análises posteriores feitas pela Polícia Federal (PF) revelaram mensagens que indicavam encontros entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes no final de 2023, com a participação de Fábio Faria nesse contato.
Janeiro de 2024 — Contrato do escritório da família Moraes com o Master
O Banco Master celebrou um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões com o escritório dirigido por Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Um relatório da PF indicou que os metadados de uma versão desse documento referiam-se a um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, embora esse dado isolado não prove irregularidades ou envolvimento ilícito do ministro.
Abril de 2024 — Menções a Paulo Gonet
Comunicações recuperadas do celular de Vorcaro mostram o advogado Ciro Soares mencionando contatos com Paulo Gonet. Uma das conversas discute a eleição do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais. Esse conteúdo é um relato de terceiros e não comprova, por si só, qualquer irregularidade na atuação de Gonet.
Março de 2025 — Encontro entre Mendonça e Vorcaro no STF
André Mendonça se encontrou com Vorcaro para discutir um processo relacionado ao Master, que envolvia precatórios. Em setembro de 2026, o ministro teria afirmado que apenas ouviu o banqueiro antes de votar contra sua posição.
28 de março de 2025 — Anúncio da compra do Master pelo BRB
O BRB anunciou sua intenção de adquirir uma participação majoritária no Banco Master. Essa operação passou a ser examinada por órgãos reguladores e pelo Banco Central.
3 de setembro de 2025 — O Banco Central rejeita a operação BRB–Master
Após meses analisando o caso, o Banco Central decidiu não aprovar a aquisição, resultando no fracasso da venda do Master ao BRB.
17 e 18 de novembro de 2025 — Prisão de Vorcaro e liquidação do Master
A PF iniciou a Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro enquanto ele se preparava para embarcar em um voo particular para Dubai. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Dias antes da prisão, mensagens recuperadas pela PF mostraram Vorcaro tentando contatar Alexandre de Moraes, questionando sobre possíveis ações policiais. As comunicações consistiam principalmente em mensagens enviadas pelo banqueiro, sem respostas do ministro.
Fim de 2025 — A investigação chega ao STF
A defesa de Vorcaro destacou que figuras com foro privilegiado estavam mencionadas nos materiais investigados. O caso foi levado ao Supremo Tribunal Federal e inicialmente ficou sob responsabilidade de Dias Toffoli. Em dezembro, tornou-se público o contrato entre o banco e o escritório ligado à família Barci de Moraes.
Fevereiro de 2026 — André Mendonça assume as investigações
Com a saída de Toffoli da supervisão do caso Master, os procedimentos foram redistribuídos e André Mendonça assumiu a relatoria das investigações principais. A partir desse momento, aumentou a tensão entre seu gabinete e setores da Polícia Federal.
Abril a julho de 2026 — Ampliação das investigações
Mendonça ordenou a prisão preventiva do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outro investigado. Novas fases da Operação Compliance Zero expandiram as apurações relacionadas à lavagem dinheiro, corrupção e possíveis pressões sobre autoridades e jornalistas.
Agosto de 2026 — Crescente tensão entre Mendonça e PF
Reportagens noticiaram que Mendonça exigiu identificação rápida das pessoas mencionadas nas mensagens enviadas por Vorcaro. Parte dos policiais considerou que o ministro estava ultrapassando os limites estabelecidos para supervisão judicial. Relatórios internos produzidos por unidades da PF foram elaborados sobre como as investigações estavam sendo conduzidas.
27 de agosto — Depoimento sem presença da PF
Vorcaro prestou depoimento perante um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça com um representante do Ministério Público presente, mas sem a participação da Polícia Federal. Essa audiência ocorreu simultaneamente ao horário em que ele deveria depor para a PF.
Durante seu depoimento, Vorcaro fez acusações relacionadas a ameaças e maus-tratos envolvendo membros da corporação, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues. Tanto a PF quanto Andrei negaram as alegações feitas.
28 de agosto — Registro da PET 16.662
O STF registrou oficialmente a PET (petição) 16.662 sob relatoria do ministro André Mendonça. Este procedimento começou a reunir informações relativas às mensagens extraídas do celular de Vorcaro e às autoridades mencionadas nelas.
1º de setembro — Publicação do relatório da PF e pedido pela PGR para nulidade
As mensagens contidas no relatório tornaram públicas interações entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, além das referências feitas sobre Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, assim como os encontros do banqueiro com várias autoridades.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) sustentou que o modo como o relatório foi elaborado era irregular, argumentando que Mendonça havia ordenado diligências que deveriam ser realizadas pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público. Em resposta, Mendonça solicitou que essa controvérsia fosse discutida pelo plenário do STF.
2 de setembro — Fachin se envolve na crise
Edson Fachin, presidente do STF, dissipou quaisquer dúvidas ao afirmar que tomaria medidas frente à crise atual enquanto discursava sobre deveres strong>, responsabilidades e limites dos ministros envolvidos.
3 de setembro — Reação negativa por parte Moraes contra Mendonça; abertura da PET 16.704 por Fachin strong>
Alexandre Moraes apresentou um pedido formal à Fachin contra André Mendonça acusando abusos potenciais durante as investigações. Parte das evidências utilizadas por Moraes provenham dos relatórios internos gerados pela Polícia Federal. p>
No mesmo dia , Fachin instaurou oficialmente PET 16.704 para compilar dados pertinentes à conduta das autoridades envolvidas . Ele requisitou esclarecimentos tanto para Moraes quanto para Mendonça , além dos nomes Paulo Gonet e Andrei Rodrigues . p>
4/9 – Fachin exclui material enviado por Mora es no inquérito fake news strong > h33 >
Fachin determinou que fossem removidos os documentos encaminhados por Mora es relacionados ao Inquérito 4/781 , integrando-os à PET 16/704 strong > . A PGR agora tem também o papel verificar se os atos realizados por Mora es são regulares . p>
Horas depois , Fachin declarou publicamente que os eventos recentes tornavam urgente finalizar Inquérito conhecido como fake news . Ele propôs também implementar um Código Ético para os ministros imediatamente . p>
4/9 – Crise contagia Planalto e Senado strong > h33 >
A Folha reporta que Fachin dialogou com Lula mencionando sua intenção levar aos plenários casos envolvendo tanto Mora es quanto Mendonçaa . Até aquele momento , não havia data agendada para tal sessão . p>
Ainda segundo reportagens , Davi Alcolumbre , presidente do Senado , expressou preocupação acerca da possibilidade impeachment contra Mora es abrir caminho para algo semelhante em relação à Mendonçaa . Essa consideração é política , não tendo caráter jurídico automático . p>
4/9 – PGR solicita explicações relacionadas ao relatório produzido pela PF strong > h33 >
Paulo Gonet requisitou esclarecimentos junto à Polícia Federal sobre se houve “ordem ou interferência externa” na elaboração relatório onde foram expostas mensagens atribuídas à Vorcaro . Com isso , surgiram questões sobre conformidade dessas investigações em paralelo às suas diretrizes . p>
5/9 – Relatórios internos da PF tornam-se novo foco strong > h33 >
Relatos indicam que seis relatórios internos foram elaborados pela PF focados na atuação Mendes na investigação . Alguns desses documentos traziam avaliações consideradas pouco confiáveis alertando ausência valor probatório externo ; contudo foram utilizados por Mora es para apoiar sua argumentação em relação ao colega . p>
Uma parte dos advogados representantes Vorcaaro busca distanciar-se abordagem adotada durante depoimento realizado no dia anterior . Eles alegam acusações contra Andrei Rodrigues não tinham sido levantadas nas conversas anteriores sobre colaboração . O advogado Daniel Bialski negou qualquer tipo indução afirmando apenas ter transmitido relatos feitos pelo cliente . p>
O Conselho Superior Ministério Público Federal deu início procedimento investigar referências Paulo Gonet no material obtido junto á Vorcaaro ; abertura desse procedimento não implica qualquer irregularidade cometida procurador geral . p>
A ADPF (Associação Nacional Delegados Polícia Federal) solicita procurador geral Paulo Gonet se declare impedido participar procedimentos relacionados fatos caso Master onde ele próprio é mencionado . p>
Gilmar Mendes formalizou proposta alteração Regimento Interno STF visando excluir policiais militares gabinetes ministros ; essa medida atinge diretamente estrutura usada nas investigações Banco Master.. p>
Colaborações avançam propostas acordos voltados investigação h33 >
João Carlos Mansur , fundador Reag , firmou acordo colaboração com PGR entregando totalizando anexos adicionais ; Antônio Carlos Freixo Júnior também acertou colaboração Procuradoria ; vale ressaltar relatos ainda necessitam validação posterior acordos não garantem acusações transformarem fato provado . p >







