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Porto Alegre inicia intervenção urgente para combater enchentes na região norte

Nesta quinta-feira (23), a administração municipal de Porto Alegre divulgou um projeto emergencial para os pôlderes 7 e 8, localizados na zona norte da cidade. O objetivo dessa iniciativa é minimizar o risco de inundação pela água do rio Gravataí através do sistema de drenagem local, especialmente em situações de chuvas intensas.

Com um investimento previsto de aproximadamente R$ 30 milhões, a intervenção abrange a área entre o Aeroporto Salgado Filho, o bairro Sarandi e a FreeWay.

A proposta imediata inclui o fechamento das galarias que direcionam as águas pluviais da bacia do arroio Areia para o rio Gravataí, com a intenção de que essa água seja retida em uma área destinada à contenção de alagamentos.

No arroio Passo das Pedras, está planejada a construção de um dique com extensão de 100 metros, separando o curso d’água do rio Gravataí. Além disso, serão instaladas bombas submersíveis para remover a água acumulada e enviá-la de volta ao rio.

Essa obra visa evitar que águas do Gravataí retornem pelos arroios Areia e Passo das Pedras para áreas da Zona Norte. No entanto, vale ressaltar que essa ação não elimina completamente o risco de alagamentos causados por chuvas locais, pois sua eficácia depende da capacidade de retenção e bombeamento das águas.

A proposta final contempla a criação de uma bacia permanente para amortecimento das águas da chuva provenientes das bacias dos arroios Areia e Passo das Pedras. Para isso, seriam necessárias duas novas estações de bombeamento para assegurar a drenagem eficiente rumo ao rio Gravataí.

Na década de 1960, os pôlderes 7 e 8 foram projetados como áreas alagáveis pelo DNOS (Departamento Nacional de Obras de Saneamento). Com o processo de urbanização na região, a prefeitura passou a considerar a proteção desse espaço como essencial para a infraestrutura local.

Intervenção aborda apenas parte dos problemas

No entanto, essa intervenção trata apenas uma fração das questões identificadas no diagnóstico relacionado à cheia prevista para 2024. Um mapa fornecido pela prefeitura destaca os pôlderes 7 e 8 como áreas prioritárias para ações corretivas, mas também indica outros locais críticos no sistema, incluindo Usina do Gasômetro, avenidas Ernesto Neugebauer, Assis Brasil e Caldeia.

Tais pontos evidenciam que a proteção contra enchentes requer uma abordagem integrada envolvendo fechamentos, elevações, comportas e estruturas impermeáveis. Embora o trabalho nos pôlderes reduza uma rota potencial de entrada da água, ele não soluciona todas as vulnerabilidades do sistema.

Outro aspecto importante é que ao obstruir a saída natural das águas dos arroios em direção ao Gravataí, o novo sistema dependerá exclusivamente do bombeamento para eliminar a água acumulada na área protegida.

Ainda há a necessidade de encontrar soluções para regiões mais baixas e vias que não atuam como diques adequados. Durante uma inundação severa, se essas áreas não forem devidamente protegidas, existe o risco de que as águas possam ingressar ou transbordar por trechos vulneráveis.

A administração municipal assegura que essa solução emergencial será integrada às obras definitivas futuras, as quais ainda requerem coordenação entre os níveis municipal, estadual e federal.

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