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MP abre canal de denúncias contra nutrólogo acusado de abusar sexualmente de pacientes

Pelo menos 20 mulheres já denunciaram o nutrólogo Abib Maldaun Neto por abuso sexual. As vítimas relatam que os crimes ocorreram durante a realização de exames físicos no consultório do médico. Os relatos das pacientes começaram a aparecer nos últimos dias, depois que o médico, considerado uma celebridade na área, foi condenado por abuso em segunda instância pela Justiça de São Paulo. O autor da ação é Fernando Castelo Branco, defensor da primeira mulher a denunciar o crime, no ano de 2014.

De lá para cá, o advogado passou a receber, em seu escritório, diversos casos similares — entre eles, o de uma adolescente que tinha apenas 14 anos na época. Fernando Castelo Branco diz que, apesar da demora das denúncias e da ausência de exame de corpo de delito, há provas circunstanciais e testemunhais do crime violação sexual mediante fraude. Percebendo o aumento no número de casos, o Ministério Público de São Paulo disponibilizou um canal para receber denúncias de pacientes do nutrólogo. Os relatos podem ser enviados para o e-mail [email protected] — o mesmo que recebeu as denúncias envolvendo o médium João de Deus.

A coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, Valeria Scarance, explica que é comum que as vítimas de abuso sexual fiquem encorajadas a denunciar em conjunto. A expectativa, segundo ela, é que o número de relatos continue aumentando. Apesar de já ter sido já condenado em segunda instância por violação sexual pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, o médico continua atendendo com autorização do Conselho Regional de Medicina. A clínica, localizada no Jardim Paulista, em São Paulo, segue funcionando normalmente.

O Cremesp afirma que recebeu as denúncias, mas diz que até o trânsito em julgado da ação o registro de um profissional médico permanece ativo. Já Abib Maldaun Neto não quis dar entrevista. Em nota enviada à reportagem, o médico diz estar com a consciências tranquila e ressalta que jamais praticou qualquer ato imoral ou ilegal contra pacientes. O nutrólogo destaca, ainda, que está colaborando com as investigações e que possui plena confiança na Justiça para reconhecer sua inocência.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini