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Tarifas americanas podem impactar quase 50% das exportações do Rio Grande do Sul, alerta FIERGS

A recentemente anunciada tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos, comunicada na quarta-feira (15), afetará 48,2% das exportações do Rio Grande do Sul destinadas ao mercado americano. Além disso, 36,9% dos produtos que saem do estado já enfrentam tarifas setoriais sobre itens como aço, alumínio e seus derivados.

Com a implementação dessas novas taxas, um total de 85,1% das exportações gaúchas para os Estados Unidos será impactado por alguma forma de taxação adicional.

Esse levantamento foi realizado pelo Conselho de Comércio Exterior e pela Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul).

A nova tarifa começará a valer a partir de 22 de julho.

Setores afetados: calçados, máquinas e móveis

A nova cobrança abrange importantes segmentos da indústria gaúcha, incluindo máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, calçados, móveis, tabaco e outros produtos manufaturados.

Os Estados Unidos ocupam a posição de segundo maior destino das exportações do Rio Grande do Sul e representam um mercado crucial para os produtos industrializados da região.

A lista final de exceções foi ampliada em comparação à proposta inicial; entretanto, apenas cerca de 2% do total exportado pelo estado foi contemplado nessa relação.

Entre os itens gaúchos isentos estão alguns produtos de couro e pescado.

No âmbito nacional, também foram excluídos da cobrança adicional produtos como aviação civil, petróleo, carne bovina, café, celulose, minério de ferro, ferro-gusa e sucos de laranja.

Regime transitório até 29 de julho

A nova medida estabelece uma regra transitória para mercadorias que forem embarcadas antes de 22 de julho. Para evitar a aplicação da nova tarifa, os produtos devem ser consumidos nos Estados Unidos até 29 de julho.

A tarifa foi implementada após uma investigação realizada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), fundamentada na Seção 301 da legislação comercial americana.

O órgão justificou a decisão alegando que certas práticas brasileiras prejudicavam o comércio dos agricultores, trabalhadores e exportadores norte-americanos.

Pedido da FIERGS por negociações e compensações

Claudio Bier, presidente do Sistema FIERGS, expressou preocupações quanto à decisão que pode diminuir a competitividade das empresas gaúchas. Ele ressaltou que isso traz incertezas nos negócios e pode impactar negativamente os investimentos, empregos e rendas na região.

A entidade defende que o governo brasileiro deve manter diálogos com as autoridades americanas visando reverter a tarifa e ampliar as exceções aplicáveis.

Caso a nova taxa seja mantida, a FIERGS solicita também linhas específicas de financiamento e medidas públicas que auxiliem os setores mais afetados.

No momento, não há uma avaliação completa acerca das perdas potenciais para a economia gaúcha relacionadas a essa situação.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro contestou a legitimidade da investigação feita pelos Estados Unidos.

O Brasil anunciou que iniciará os trâmites necessários para invocar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e irá levar o assunto ao mecanismo de resolução de disputas da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Uma taxa adicional de 12,5% está sob análise e poderá ser aplicada até março de 2027 sobre produtos brasileiros e importados de outros países.

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