Na última quinta-feira (22), o governador Eduardo Leite (PSD) e o governador eleito Luciano Zucco (PL) se reuniram para debater os planos de revitalização do Rio Grande do Sul, além dos investimentos necessários para evitar futuros desastres climáticos. O encontro de transição ocorreu no CAFF (Centro Administrativo Fernando Ferrari), localizado em Porto Alegre, onde foi apresentado à nova gestão o status atual do Plano Rio Grande, que inclui R$ 3,28 bilhões em demandas pendentes de financiamento.
Participaram da reunião as equipes dos dois governos, além de especialistas responsáveis por infraestrutura, monitoramento climático, Defesa Civil e recuperação de áreas afetadas por enchentes. Esta foi a terceira vez que Leite e Zucco se encontraram desde o início do processo de transição.
Um dos tópicos centrais discutidos foi o Funrigs (Fundo do Plano Rio Grande), instituído para financiar iniciativas de reconstrução e adaptação às mudanças climáticas. Segundo informações do governo estadual, até setembro de 2026, foram realizados pagamentos totalizando R$ 6,36 bilhões, com R$ 10,11 bilhões já empenhados. O saldo disponível atualmente é de R$ 4,35 bilhões.
Entre os projetos que ainda aguardam aprovação estão R$ 854,9 milhões destinados a obras de contenção contra cheias nos municípios, R$ 850,4 milhões para a recuperação de rodovias e pontes, R$ 636,5 milhões para reequilíbrios contratuais e R$ 335,6 milhões voltados à Defesa Civil. Também estão previstas demandas relacionadas a escolas, hospitais e apoio à agricultura familiar.
Prazos para uso dos recursos da reconstrução
Um desafio importante apresentado à equipe de Zucco refere-se ao prazo estipulado para a utilização dos recursos do Funrigs oriundos da suspensão da dívida estadual com a União.
Atualmente, conforme as regras vigentes, a execução financeira deve ser concluída até outubro de 2027. No dia 15 de outubro, o governo gaúcho fez um pedido à ministra Miriam Belchior, da Casa Civil, solicitando uma prorrogação desse prazo até dezembro de 2028.
O Plano Rio Grande compreende investimentos estimados em cerca de R$ 22 bilhões, englobando recursos do Funrigs e do Firece (Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos). A estratégia abrange ações emergenciais e iniciativas voltadas à recuperação da infraestrutura e proteção contra cheias a longo prazo.
Durante a apresentação também foram detalhadas as melhorias na estruturação da Defesa Civil. Entre os investimentos anunciados estão três novos radares meteorológicos que devem ser instalados em Alegrete até dezembro deste ano e em Pelotas e Soledade até agosto de 2027.
O Estado informou ainda que mantém operacionais 130 estações hidrometeorológicas e está implementando centros dedicados à gestão de riscos e desastres. A conclusão do centro estadual está prevista para março de 2027, enquanto o centro voltado à logística humanitária deverá ser finalizado em maio.
Impactos do El Niño na prevenção
As previsões climáticas para o final de 2026 e início de 2027 também foram abordadas durante o encontro. A meteorologista Cátia Valente apresentou uma análise sobre o desenvolvimento do fenômeno El Niño e suas possíveis repercussões nas condições climáticas e hidrológicas do Estado.
O material apresentado ressaltou que a distribuição das chuvas é influenciada pela interação entre as condições dos oceanos Pacífico e Atlântico e pela circulação atmosférica. Monitorar esses elementos é considerado crucial para se preparar diante de potenciais eventos extremos.
O coronel Luciano Boeira, coordenador da Defesa Civil estadual, discorreu sobre as ações já implementadas no monitoramento e resposta a desastres naturais. Essas ações incluem não apenas a ampliação da rede de equipamentos mas também a criação de planos de contingência com suporte aos municípios locais.
Durante a reunião, Leite enfatizou que o processo de transição deve garantir uma troca eficaz de informações sobre compromissos existentes e desafios enfrentados pela próxima gestão.
Por sua vez, Zucco agradeceu pela condução das reuniões até então e expressou sua intenção de utilizar os dados obtidos para planejar adequadamente seu início no cargo e avaliar a continuidade dos projetos em andamento.
Além dos temas relacionados à reconstrução e prevenção contra desastres naturais, as equipes também discutiram as parcerias referentes ao Bloco 2 das rodovias assim como ao novo Hospital Metropolitano de Viamão.







