No Rio Grande do Sul, a temporada de semeadura do trigo começou, embora ainda esteja em uma fase inicial e a área cultivada esteja sendo definida. Este início coincide com a liberação do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), que inclui os principais cultivos da região.
Um informe divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (21) ressalta que, apesar do início do plantio, os agricultores se mostram cautelosos em relação à próxima safra.
Essa preocupação é ocasionada por uma série de fatores, como os altos custos de produção, dificuldades no acesso ao crédito rural, limitações nas coberturas de seguros e o aumento potencial dos riscos climáticos, especialmente devido à influência esperada do fenômeno El Niño durante os meses de inverno e primavera.
Na região de São Borja, os desafios climáticos são evidentes. O volume expressivo de chuvas registrado em abril dificultou o planejamento da semeadura antecipada, uma prática adotada em safras passadas para lidar com os riscos das chuvas na primavera.
Em Ijuí, a situação econômica também afeta as decisões dos agricultores. A definição das áreas destinadas ao cultivo ainda está indefinida devido aos altos custos envolvidos e às perspectivas limitadas de rentabilidade.
Diminuição da área cultivada
Observa-se uma tendência de redução na área destinada ao cultivo de trigo no Rio Grande do Sul. Essa diminuição é motivada pela expectativa baixa de lucro e pela troca do cultivo por alternativas para o inverno, como canola, plantas de cobertura e sistemas que utilizam milho precoce seguido por soja safrinha. Em Santa Rosa, projeta-se uma queda aproximada de 20% na área plantada em comparação com 2025.
Além disso, há indícios de que o nível tecnológico aplicado na cultura tem diminuído, refletido pelo aumento do uso de sementes próprias e pela diminuição da demanda por sementes certificadas.
A Emater/RS-Ascar está conduzindo um levantamento para estimar a área a ser cultivada na Safra 2026. Para a Safra 2025, o estado registrou 1.166.163 hectares dedicados ao trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total alcançando 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.
O último boletim da Emater/RS-Ascar também aponta que o preço médio da saca de 60 quilos subiu 0,94%, passando de R$ 63,09 para R$ 63,68.
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