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Aumento acentuado nos preços do petróleo em meio a nova escalada de conflitos entre EUA e Irã

Na quarta-feira (8), o valor do petróleo registrou um aumento superior a 6%, impulsionado por uma nova onda de confrontos entre os Estados Unidos e o Irã, que reacendeu as preocupações sobre uma possível escalada de conflitos na região do Oriente Médio.

O barril do tipo Brent, que serve como referência global, atingiu US$ 79,24 às 4h15 (horário de Brasília), marcando uma elevação de 6,85% em comparação ao dia anterior. Este preço representa o maior patamar desde 17 de junho, quando a cotação havia alcançado US$ 80,03. Por volta das 8h45, o Brent estava sendo negociado a US$ 78, com um incremento de 5,18%.

Em relação ao WTI, utilizado nos Estados Unidos, o valor era de US$ 73,97, refletindo um aumento de 5,01%.

A alta nos preços ocorreu após ataques recentes a navios-tanques nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o transporte de petróleo em nível global. Um navio que transportava gás natural liquefeito (GNL) do Qatar estava sob risco de explosão, enquanto uma embarcação da Arábia Saudita dedicada ao transporte de petróleo sofreu danos na mesma área.

O Estreito de Ormuz é considerado estratégico por ser responsável por aproximadamente 20% das exportações globais de petróleo. Em decorrência da situação, as autoridades marítimas aumentaram o nível de alerta para embarcações transitando pela rota, passando de “substancial” para “grave”.

Ameaça ao Estreito de Ormuz

O Irã advertiu que poderá fechar o Estreito de Ormuz caso novos ataques contra seu território ocorram. A informação foi divulgada pela emissora estatal Press TV citando uma fonte anônima ligada à segurança.

A mesma fonte indicou que Teerã retaliará alvos inimigos em uma proporção mínima de dois ataques para cada ação contrária se as ameaças feitas pelo presidente Donald Trump forem colocadas em prática.

Trump declarou que planeja lançar um “grande ataque” contra o Irã ainda nesta quarta-feira. O presidente dos EUA mencionou que poderia atingir instalações como sistemas elétricos e estações de tratamento de água, embora tenha ressaltado que não deseja chegar a esse extremo.

Essas declarações foram feitas durante uma cúpula da Otan em Ancara, na Turquia. O presidente americano também afirmou que o acordo de cessar-fogo com o Irã “terminou” após os ataques retaliação contra alvos norte-americanos no Golfo Pérsico.

Ataques dos EUA

Na noite da terça-feira (7), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) iniciou uma ofensiva contra o Irã como resposta aos ataques realizados contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.

As forças americanas afirmaram ter desencadeado uma série de ações contra o Irã para impor custos significativos pelas agressões às embarcações comerciais. Washington classificou as ações iranianas como uma violação do cessar-fogo previamente estabelecido.

Uma fonte anônima informou que os ataques dirigidos pelos EUA focaram em sistemas defensivos aéreos iranianos, dispositivos de vigilância costeira, mísseis terra-ar e mísseis antinavio, além de locais utilizados para lançamento de drones iranianos.

Trump também mencionou que a Ilha Kharg, importante ponto para as exportações petrolíferas iranianas antes do conflito atual, foi um dos alvos atacados na ofensiva dessa terça-feira. No entanto, ele destacou que ordenou que os tanques de petróleo não fossem danificados.

Resposta iraniana

A resposta do Irã aos ataques dos EUA foi classificada como uma violação do acordo pacífico existente e resultou em ações retaliatórias direcionadas a bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait durante a madrugada desta quarta-feira.

O Bahrein abriga a Quinta Frota da Marinha dos EUA e o Kuwait é sede das forças americanas na região. Ambos os países emitiram alertas sobre mísseis para suas populações logo pela manhã.

A Guarda Revolucionária iraniana anunciou ter atingido bases americanas em Bandar Salman e no Quinto Distrito Naval no Bahrein, além da base aérea Ali al Salem no Kuwait. O grupo também alegou ter derrubado um drone MQ-9 Reaper pertencente aos EUA.

A mídia iraniana reportou ataques nas cidades portuárias Sirik e Bandar Abbas e na ilha Qeshm. Também houve relatos sobre explosões em Kharg; entretanto, os Estados Unidos não confirmaram operações nessa região. Até a última atualização disponível, não foram reportados feridos.

Cessar-fogo sob tensão

Essa nova escalada interrompeu uma frágil trégua entre Washington e Teerã que estava vigente desde o final de junho. O entendimento havia sido estabelecido após semanas intensas de conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A Casa Branca cancelou uma licença anteriormente concedida ao Irã para comercializar petróleo como parte de um entendimento que tinha flexibilizado sanções e buscado reestabelecer a navegação segura no Estreito de Ormuz.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que as acusações contra seu país são infundadas e reafirmou seu compromisso com os tratados vigentes. A pasta ainda apontou que embarcações comerciais enfrentam riscos ao optarem por rotas não autorizadas pelo regime teocrático.

O Qatar responsabilizou diretamente o Irã pelos ataques às embarcações e convocou seu vice-embaixador para apresentar um protesto formal.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) manifestou apoio à reação americana. O secretário-geral da aliança militar ocidental afirmou que as ações foram necessárias frente à violação do cessar-fogo. Por sua vez, Kaja Kallas expressou preocupação com a dificuldade em normalizar a situação no Oriente Médio devido aos conflitos entre as partes envolvidas.

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