Nesta quinta-feira (24), uma nova ação investigativa foi desencadeada, visando desmantelar uma rede financeira supostamente utilizada para ocultar a origem dos recursos que financiaram a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis. A Operação Crédito Oculto representa um desdobramento da Carbono Oculto, que foi iniciada em novembro de 2025.
A Receita Federal, em colaboração com o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, está cumprindo mandados de busca e apreensão em locais associados a 19 empresas e 13 indivíduos. As ações estão sendo realizadas em diversos estados, incluindo São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
O foco da investigação é traçar o percurso do dinheiro e descobrir quem realmente controlava as empresas e os ativos envolvidos na transação.
R$ 100 milhões teriam sido utilizados na aquisição da distribuidora
Um dos casos sob investigação envolve R$ 100 milhões que, segundo apurações, foram direcionados a uma usina de açúcar e álcool para viabilizar a compra da distribuidora de combustíveis.
Antes de serem enviados à usina, os valores passaram rapidamente por contas de três empresas diferentes e por instituições financeiras digitais. Os investigadores acreditam que essa movimentação teve o intuito de dificultar a rastreabilidade da origem dos recursos e identificar os responsáveis por suas movimentações.
Após esse trajeto complexo, os R$ 100 milhões foram alocados em um fundo de investimento especificamente criado para participar da aquisição da distribuidora.
A Receita Federal aponta que essa estrutura envolveu bancos, fundos de investimento, fintechs, empresas holdings e um escritório jurídico. A investigação busca esclarecer qual foi a função de cada um dos participantes nesse esquema e quem eram os verdadeiros beneficiários das transações.
Operação de R$ 370 milhões também está sob análise
Outra vertente da investigação examina uma operação que gira em torno de R$ 370 milhões referentes a valores que a usina tinha a receber.
As investigações sugerem que recursos provenientes de fundos associados ao grupo investigado transitaram por diversas estruturas financeiras antes de retornar ao negócio principal. Os investigadores levantam a hipótese de que esse percurso foi montado para mascarar quem controlava efetivamente a operação e quem se beneficiava dela.
Além disso, imóveis geridos através de fundos de investimento estão sendo analisados. A apuração investiga se esse modelo foi utilizado para preservar bens relacionados aos investigados sem registrá-los diretamente em seus nomes.
Uma das instituições financeiras envolvidas nas operações movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. A Receita Federal investiga se parte dessa estrutura foi empregada para ocultar patrimônio, disfarçar a origem dos recursos e realizar lavagem de dinheiro.







