O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial, apresentando uma dívida total de R$ 17,322 bilhões. A solicitação foi protocolada na Justiça de São Paulo no dia 16 de setembro e abrange a empresa principal e suas nove subsidiárias.
Após um processo de reestruturação, as lojas físicas e os canais digitais da companhia continuam operando normalmente. No entanto, o grupo decidiu encerrar 298 unidades com desempenho financeiro insatisfatório e demitir aproximadamente 3 mil colaboradores em agosto, como parte dessa nova fase de readequação.
Dentro do montante total da recuperação judicial, R$ 16,414 bilhões são classificados como créditos quirografários, ou seja, sem garantia real. Além disso, há R$ 754,5 milhões referentes a créditos trabalhistas e R$ 153,8 milhões que devem ser pagos a microempresas e pequenas empresas.
No documento apresentado à Justiça, a Casas Bahia menciona estar enfrentando “a mais severa crise financeira desde sua criação”. Entre os fatores que contribuíram para essa situação estão a elevação das taxas de juros, o aumento da inflação, a diminuição do poder aquisitivo das famílias e o crescimento da inadimplência. A empresa também aponta os investimentos em tecnologia, logística e comércio eletrônico como parte das dificuldades atuais.
Proteção em contratos que somam R$ 10 bilhões
A organização solicitou ainda proteção contra o vencimento antecipado de contratos que totalizam mais de R$ 10 bilhões. Segundo o pedido, mesmo que as obrigações desses contratos estejam cumpridas até o momento, cláusulas ligadas ao processo de recuperação poderiam tornar esses valores imediatamente exigíveis.
Dentre as solicitações apresentadas à Justiça estão a suspensão de ações judiciais e bloqueios por um período de 180 dias, a garantia da entrega de mercadorias já adquiridas, a preservação dos contratos considerados essenciais e a proibição da apreensão dos estoques dados como garantia.
A documentação encaminhada à Justiça também inclui créditos que não estão submetidos à recuperação judicial. Nessa lista constam R$ 2,622 bilhões em dívidas com o banco Digio, R$ 2,392 bilhões com o Banco do Brasil e R$ 1,504 bilhão com o Bradesco. Vale ressaltar que tanto Digio quanto Banco do Brasil possuem créditos que fazem parte do processo judicial: R$ 655,6 milhões e R$ 598,1 milhões respectivamente.
Recuperação judicial é nova etapa de reestruturação
A crise financeira levou o grupo a adotar uma série de medidas desde o início de 2023. Nesse período, a Casas Bahia fechou 55 lojas deficitárias, demitiu cerca de 8.600 funcionários e reduziu seus estoques em mais de R$ 1 bilhão. Os investimentos também sofreram cortes significativos de cerca de 60%.
Em 2024, a companhia recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras que estavam programadas para vencer entre os anos de 2024 e 2027.
No ano seguinte, em 2025, a Mapa Capital assumiu o controle da varejista ao adquirir aproximadamente 85,5% do capital social após converter debêntures em ações numa operação que resultou na redução da dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão. Apesar disso, a empresa relata que as dificuldades financeiras continuam presentes.
Casas Bahia não prevê voltar a crescer nos próximos dois anos
Em uma teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre deste ano, Renato Franklin, presidente da Casas Bahia, declarou que não há previsões para um retorno ao crescimento nos próximos dois anos.
Franklin comentou que a empresa planeja utilizar a recuperação judicial como uma estratégia para buscar linhas de crédito de curto prazo e facilitar a monetização dos ativos. Parte dessa abordagem inclui considerar a venda de ativos não essenciais e encontrar maneiras para monetizar sua infraestrutura logística.
A companhia também cortou os investimentos em quase 40% nesta nova fase do plano transformacional. Além disso, revisou contratos e despesas enquanto decidiu reduzir volumes nas operações online onde as margens eram negativas. O objetivo declarado pela administração é operar em uma escala menor mas mais lucrativa e capaz de atender às necessidades financeiras da empresa.







