Os Estados Unidos apresentaram uma proposta que sugere a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos provenientes do Brasil, o que poderia impactar até 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Essa informação foi divulgada nesta terça-feira (2) por Márcio Elias Rosa, representante do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Dentre os setores mais vulneráveis a essa nova taxação estão máquinas e equipamentos industriais, calçados, produtos de plástico, itens de madeira, papel cartão, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. A análise do governo brasileiro indica que essa medida afetaria especialmente áreas com maior valor agregado, resultando em consequências diretas para a indústria, o emprego e a renda no país.
A proposta de tarifação foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em um relatório divulgado na segunda-feira (1º). A resposta do governo brasileiro foi compartilhada em Brasília durante uma reunião com membros da administração federal.
Márcio Rosa fez questão de afirmar que questões relacionadas à soberania nacional não serão discutidas nas negociações com os Estados Unidos. Ele destacou que o sistema de pagamentos Pix está fora das pautas de diálogo.
O representante do MDIC também expressou preocupação com alguns movimentos que, segundo ele, dificultam as interações entre Brasília e Washington. Um exemplo citado foi a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca na semana anterior.
Rosa criticou a tentativa dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Para ele, essa abordagem pode interferir negativamente na colaboração entre as autoridades brasileiras e norte-americanas no campo da segurança pública.
O governo brasileiro reafirma seu compromisso em manter canais de comunicação abertos com os Estados Unidos desde o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O MDIC comentou que foram realizadas pelo menos quatro reuniões formais recentes com o USTR, sendo a última delas em 28 de maio.
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