O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a economia brasileira começará a se recuperar em 2026, depois de uma desaceleração esperada para o ano anterior, 2025. A previsão é de um crescimento gradual, alcançando cerca de 2,5% no médio prazo. Essa análise foi divulgada após uma missão do FMI realizada entre os dias 18 e 29 de maio, em decorrência da consulta anual prevista no Artigo IV.
Segundo o FMI, a economia do Brasil mostrou resiliência frente a choques recentes. Devido à sua condição de exportador líquido de petróleo e à significativa participação de fontes renováveis na matriz energética, o país estaria relativamente protegido das altas globais no preço dessa commodity.
Inflação voltou a pressionar
O relatório do FMI indica que, embora a inflação tenha registrado queda no início de 2026, houve um aumento recente impulsionado pelos preços internacionais da energia.
A expectativa é que a inflação continue alta no curto prazo, mas que eventualmente converja para a meta estabelecida de 3% até meados de 2028.
O Fundo considera apropriadas as reduções nas taxas de juros promovidas pelo Banco Central nos meses de março e abril. Contudo, recomenda flexibilidade nas decisões futuras da política monetária em face da incerteza externa e novas pressões inflacionárias.
Dívida pública preocupa
No âmbito fiscal, o FMI enfatiza que o Brasil deve manter esforços para ajustar suas contas e direcionar a dívida pública em uma trajetória descendente.
Entre as sugestões estão a criação de reservas com receitas extraordinárias provenientes do petróleo, o aumento da arrecadação tributária, a diminuição dos gastos fiscais e a necessidade de lidar com a rigidez das despesas.
Na visão do FMI, um esforço fiscal mais robusto contribuiria para fortalecer a credibilidade das finanças públicas, reduzir custos de financiamento e abrir espaço para investimentos essenciais.
Sistema financeiro
O sistema financeiro do Brasil é considerado resiliente, com instituições bancárias capitalizadas e líquidas.
Entretanto, o FMI sugere atenção especial aos riscos relacionados ao crédito às famílias e propõe um reforço na supervisão tanto bancária quanto do mercado de capitais.
Além disso, o relatório destaca como prioridade combater a escassez de pessoal no Banco Central e fortalecer as proteções legais para os supervisores financeiros.
Reformas e transição ecológica
O FMI acredita que reformas estruturais e uma agenda focada na transição ecológica podem proporcionar um crescimento mais robusto e inclusivo a médio prazo.
Entre os avanços mencionados estão novas parcerias comerciais, melhorias no ambiente empresarial, estímulos à concorrência, ampliação da participação no mercado de trabalho e políticas voltadas para descarbonização.
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