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Proprietário do Banco Master é detido pela Polícia Federal durante nova fase da operação Compliance Zero.

A PF (Polícia Federal) deflagrou no início da manhã desta quarta-feira (4) a terceira fase da Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A agência apura possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídas a uma organização criminosa.

Conforme a PF, os agentes cumprem quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. As ordens foram expedidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). As investigações tiveram apoio do Banco Central do Brasil (BC).

O STF determinou ainda o afastamento de cargos públicos de alguns investigados e o sequestro e bloqueio de bens até o limite de R$ 22 bilhões. De acordo com a PF, a medida busca interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo e preservar valores potencialmente relacionados às práticas apuradas.

Estrutura de vigilância e intimidação

Na decisão, o ministro André Mendonça citou indícios de que o grupo mantinha uma estrutura voltada a vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses do banco. O despacho também menciona suspeitas de acesso indevido a sistemas sigilosos de órgãos como a própria PF e o Ministério Público Federal, além de referências a bases de organismos internacionais, conforme trechos reproduzidos na decisão.

Além de Vorcaro, Mendonça decretou a prisão de outros investigados, incluindo Fabiano Zettel, descrito como responsável por pagamentos e cobranças do grupo, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como operador de ações de monitoramento e obtenção de informações. A decisão cita ainda a atuação de um policial federal aposentado, também alvo de prisão preventiva.

Plano de intimidação

O ministro também apontou mensagens que indicariam planos de intimidação contra um jornalista. Nesta quarta-feira (4), o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, declarou ser o alvo mencionado nas conversas citadas no despacho.

A decisão de Mendonça cita ainda dois nomes ligados ao BC: o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana. Conforme o despacho, eles teriam atuado como consultores de interesse privado do banqueiro e seriam alvo de medidas que incluem restrição de exercício de funções, além de buscas. O texto menciona suspeita de uso de contratos simulados para justificar repasses, conforme a investigação.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) manifestou-se contra as medidas solicitadas pela PF em 27 de fevereiro e alegou falta de urgência e prazo insuficiente para análise. Mendonça afirmou que viu risco concreto de interferência nas investigações e de novos crimes, inclusive contra a integridade física e moral de pessoas.

Em nota, a defesa de Vorcaro declarou que ele esteve à disposição das autoridades, colaborou com as investigações e negou tentativa de obstrução. A PF afirma apurar, entre outros pontos, crimes contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de justiça.

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