Aumento na probabilidade de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul
A previsão de precipitação para o período de setembro a novembro foi ampliada para incluir todo o estado do Rio Grande do Sul. O fenômeno El Niño, que se estenderá até 2026-27, apresenta uma significativa chance de alcançar uma intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou que as indicações de chuvas se tornaram mais robustas na atualização realizada em agosto.
Conforme afirmado pelo INMET, “a possibilidade de chuva acima da média não apenas cresceu, mas agora abrange todo o estado”.
Uma análise publicada pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) em 13 de agosto revelou que há mais de 90% de probabilidade do El Niño alcançar uma intensidade muito forte. Para os meses de outubro, novembro e dezembro, estima-se uma chance de 69% para um evento com intensidade histórica, medido pela métrica RONI, com valores trimestrais superiores a +2,5°C.
É importante destacar que essa mudança não indica um cenário catastrófico. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) observa que as chuvas recentes tornaram algumas bacias no estado mais suscetíveis a novas precipitações, embora não seja possível prever grandes inundações.
Bacias mais vulneráveis a novas chuvas
As chuvas ocorridas nas últimas semanas elevaram a umidade do solo e aumentaram os níveis dos rios e vazões nas bacias monitoradas. Segundo Elisangela Broedel, pesquisadora em Hidrologia do Cemaden, isso impactou a capacidade das bacias em responder a novas sequências de chuvas.
“As recentes precipitações tornaram algumas bacias mais sensíveis a novos episódios”, afirmou Broedel.
Com o solo já saturado, há menos espaço disponível para absorver mais água. Assim, uma parte maior da água pode escoar rapidamente para os rios, resultando em elevações rápidas nos níveis hídricos e picos maiores nas vazões, especialmente quando as chuvas ocorrem em sequência. O Cemaden se refere a esse fenômeno como “memória hidrológica” ou condição antecedente das bacias.
O órgão acredita que o potencial para eventos hidrológicos no Rio Grande do Sul aumentou. Entretanto, é importante ressaltar que “não é possível afirmar com certeza que ocorrerão grandes inundações ou que o risco aumentou uniformemente por todo o estado”.
A magnitude de qualquer cheia futura dependerá do volume e intensidade das próximas chuvas, além da condição dos solos e dos níveis dos rios. Elementos como características específicas das bacias, operação dos reservatórios e infraestrutura urbana também têm papel crucial nesse processo.
Ademais, a intensidade do El Niño não determina automaticamente a gravidade das cheias. O Cemaden destaca que um evento muito forte aumenta as chances de condições favoráveis a cheias, mas “não implica que essas cheias serão necessariamente mais severas”.
O período crítico para monitoramento será durante a primavera. O Cemaden recomenda atenção especial entre setembro e novembro e destaca que nos anos de El Niño é comum observar chuvas acima da média nessa estação, particularmente em outubro e novembro.
Mudanças na avaliação desde maio no Rio Grande do Sul
A evolução dessa situação fica clara ao se comparar com a Nota Técnica nº 3 do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul. Este documento produzido com previsões feitas em abril e maio indicava que ainda não havia evidências robustas da possibilidade do El Niño 2026-27 atingir intensidades fortes ou muito fortes; contudo, já mencionava expectativa de precipitações acima da média para a primavera.
O Agora RS buscou atualizações junto ao CPTEC/INPE e ao Comitê Científico sobre esses novos dados. Em 14 de agosto, a assessoria do INPE informou que enviaria respostas até quarta-feira (19), mas até o fechamento desta matéria não havia recebido posicionamento técnico.
O Comitê Científico repassou os questionamentos ao professor Marcelo Alonso, membro do grupo especializado na temática. Até o fechamento deste artigo, também não havia retorno técnico às indagações feitas pelo Agora RS.
O Governo Estadual mantém o programa Prepara RS, uma plataforma abrangente dedicada ao monitoramento e à preparação para os efeitos relacionados ao El Niño. Essa ferramenta inclui vigilância hidrometeorológica, informações sobre bacias hidrográficas, radar meteorológico e planos contingenciais.
A atualização recente enfatiza a importância contínua na observação da situação climática; no entanto, não permite prever datas exatas nem locais ou magnitudes possíveis para eventuais inundações. Segundo o Cemaden, essa é uma questão de atenção sazonal ampliada e não uma previsão específica sobre cheias históricas no Rio Grande do Sul.







