Pelo menos três navios mercantes foram atingidos por projéteis nesta quarta-feira (11) na área do Estreito de Ormuz, no 12º dia da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A rota marítima já opera sob forte tensão e teve o tráfego praticamente paralisado desde o início do conflito.
Uma embarcação de bandeira japonesa, a One Majesty, ficou com um buraco de cerca de 10 centímetros após ser atingida ao norte de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Outro navio, o graneleiro Star Gwyneth, de bandeira das Ilhas Marshall, teve o casco danificado ao norte de Dubai. O navio tailandês Mayuree Naree foi atingido ao norte de Omã e teve incêndio a bordo. A empresa de segurança marítima Vanguard confirmou os danos às três embarcações.
A Marinha da Tailândia informou que 23 tripulantes estavam no Mayuree Naree. Vinte foram resgatados por Omã, e o resgate dos outros três seguia em andamento. O monitoramento marítimo do Reino Unido informou 13 ataques a navios e quatro episódios de atividade suspeita desde o início da guerra.
Ontem, o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) afirmou ter destruído 16 embarcações iranianas usadas para lançamento de minas perto do Estreito de Ormuz. Mais cedo, Donald Trump havia falado em 10 barcos atingidos. A ação ocorreu após relatos de inteligência sobre preparativos iranianos para espalhar minas na área.
Novo líder supremo é ferido
No campo político, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, foi descrito como fora de risco por Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, depois de relatos de que ele teria sido ferido. A Reuters, citando uma autoridade israelense, informou que Mojtaba sofreu ferimentos leves. Ele não fez pronunciamentos públicos nem apareceu desde a confirmação de sua escolha.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a pedir publicamente que iranianos se levantem contra o regime dos aiatolás. Do lado iraniano, o chefe de polícia Ahmadreza Radan afirmou que manifestantes contrários ao regime, se agirem “a mando do inimigo”, serão tratados como inimigos.
Os ministros de Energia do G7 deram apoio “em princípio” ao uso de reservas estratégicas por causa dos efeitos da guerra sobre o petróleo e o gás. A medida ainda depende de coordenação com a Agência Internacional de Energia.
Mais bombardeios de Israel no Líbano
Israel também ampliou os bombardeios. Os militares israelenses anunciaram uma nova onda de ataques em larga escala contra alvos no Irã e contra estruturas atribuídas ao Hezbollah em Beirute. No Líbano, a escalada segue no sul do país, nos subúrbios ao sul da capital e no Vale do Bekaa.
No sul do Líbano, a agência oficial do país informou sete mortos e 23 feridos após ataques na região leste. Em outro balanço, o Ministério da Saúde libanês informou 570 mortos desde o início dos bombardeios em 2 de março. Em Beirute, um prédio residencial foi atingido em área onde moradores diziam se sentir fora da zona de risco. Mais de 700 mil pessoas já deixaram suas casas por causa das ordens de evacuação e dos bombardeios.
Países do Golfo bloqueiam ataques iranianos
Países do Golfo voltaram a acionar defesa aérea. Os Emirados Árabes Unidos informaram nova resposta a mísseis e drones lançados pelo Irã. Mais cedo, o país havia comunicado quatro feridos após a queda de dois drones nas proximidades do aeroporto de Dubai.
O Qatar disse ter interceptado um ataque com mísseis. E a Arábia Saudita afirmou ter destruído seis mísseis balísticos lançados na direção da base aérea Prince Sultan e também drones em outras áreas do país. Omã informou que derrubou um drone e que outro caiu no mar. O Bahrein manteve o espaço aéreo fechado.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado a 35ª onda de operações. Em comunicado reproduzido por meios estatais, a corporação disse ter atacado bases militares dos Estados Unidos no Qatar, no Kuwait e no Iraque, além da Quinta Frota norte-americana. Até o momento, autoridades norte-americanas não haviam confirmado esses danos.
O comando militar conjunto do Irã também ameaçou atingir bancos ligados a Estados Unidos e Israel na região após o relato de ataque a um banco estatal em Teerã. Um porta-voz advertiu que pessoas não deveriam permanecer a menos de um quilômetro de bancos na região.
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