A Polícia Civil investiga um golpe praticado por um grupo que já deixou várias pessoas no prejuízo no Rio Grande do Sul. Em uma página na internet, os criminosos conseguiram substituir o telefone de uma montadora pelo número de uma central de golpes. Dessa forma, eles se passam por funcionários da General Motors (GM) e oferecem veículos 0 km por valores abaixo do mercado e em condições especiais.

“A gente não tinha conhecimento desse golpe praticado. Eles indexam um telefone falso, vinculado à própria fábrica, que na ferramenta de pesquisa acaba aparecendo como principal telefone. O próprio logotipo da fábrica indica que está chamuscado, fora de foco, parece que foi escaneado e colocado num documento falso”, explica o delegado de Repressão aos Crimes Informáticos, André Lobo Anicet.

“As concessionárias são os braços da montadora na venda de veículos. Dificilmente uma montadora vende diretamente para o consumidor sem o intermediário de uma concessionária”, completa.

Foi dessa forma que um jovem, que não quis se identificar, perdeu R$ 17 mil. Sem saber, ele depositou o dinheiro na conta de um golpista.

“Quando eu soube que era golpe, corri no banco, falei com a minha gerente para tentar segurar o dinheiro. Ela disse que o dinheiro já tinha sido sacado, já tinha sido transferido para outras contas, numa agência de São Bernardo do Campo, em São Paulo”, conta.

O homem havia feito uma pesquisa na internet para descobrir o telefone de uma montadora para tentar comprar um carro. Acabou ligando, na verdade, para uma central dos golpistas.

“Busquei o telefone deles, da General Motors, e apareceu um número. Liguei e atendeu uma moça do faturamento, se identificando como funcionária da empresa e disse que vendia para pessoa física”, relata.

Ficou acertado que o rapaz daria uma entrada de R$ 17 mil e pagaria o restante em 36 parcelas de R$ 583. Mas a demora em receber a nota fiscal acendeu o sinal de alerta, mesmo após ouvir mais uma garantia de outro falso vendedor, que afirmou que a chave de segurança e a nota seriam enviadas por e-mail.

A nota nunca foi enviada. Quando o homem que estava comprando o carro perguntou por que o dinheiro teria que ser depositado em uma conta de pessoa física e não da montadora, recebeu como resposta que os veículos vendidos eram de funcionários, ex-funcionários, e clientes que desistem do feirão.

O rapaz foi até a sede da GM em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ele conversou com um funcionário e ouviu que a empresa não fez nenhum feira de veículos e, muito menos, a venda de carros de funcionários.

Ele descobriu ainda que não foi o primeiro a bater na porta da montadora com essa situação. “O próprio funcionário já me disse: ‘tu já é o terceiro vindo com esses papéis. E um já perdeu R$ 40 mil, outra vítima já perdeu R$ 12 mil e agora tu com os mesmos papéis'”.

Quem perdeu a economia de um ano inteiro faz questão de denunciar o golpe para que outras pessoas não se tornem vítimas dos criminosos.

“A gente se sente arrasado. A gente se sente a pior pessoa do mundo, com raiva de si mesmo por ter caído numa situação dessas. E não imagina que tem pessoas tão ruins no mundo”, acrescenta.
A GM informou que os carros da companhia são vendidos somente nas concessionárias da marca. Quem tiver dúvidas, deve acessar o site oficial da montadora. A reportagem pediu um posicionamento ao Google, já que o telefone falso está publicado na internet, mas não recebeu retorno.