A Corregedoria das Polícias colhe, nesta quarta-feira (11), depoimentos de 17 policiais envolvidos na operação da PM em Paraisópolis, comunidade na Zona Sul de São Paulo. A ação deixou nove mortos e 12 feridos na madrugada do dia 1°. Outros 14 policiais prestaram depoimento ao órgão nesta terça (10).

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afastou os 31 policiais militares que atuaram na operação. Seis agentes da Rotam já estavam afastados e, agora, outros 25 policiais da Força-Tática também estão fazendo trabalhos administrativos.

Inicialmente, a corporação havia dito que 38 policiais participaram da operação. Na semana passada, seis policiais foram retirados do trabalho nas ruas. Nesta segunda-feira (9), governo havia informado que afastaria mais 32 policiais, após reunião entre familiares das vítimas e o governador João Doria.

No início da semana, o governador se encontrou com familiares e representantes dos moradores da comunidade de Paraisópolis. Após o encontro, a procuradora geral do Estado, Lia Porto Corona, disse que as famílias demonstraram preocupação para que os responsáveis pela tragédia sejam punidos. Corona disse ainda que o governo prometeu rigor e transparência na apuração.

As investigações estão sendo conduzidas pelo Departamento de Homicídios que busca por imagens que mostram o local exato onde os nove jovens foram mortos. Na terça (10), parentes das vítimas foram ouvidos pelos investigadores.

O DHPP realizou uma análise preliminar dos áudios da comunicação via rádio entre os policiais militares e a central 190 durante a madrugada do domingo (1º). As gravações confirmam três pontos da versão apresentadas pelos PMs.

Grafite feito na viela onde 9 morreram — Foto: Bruna Vieira/TV Globo

Grafite feito na viela onde 9 morreram — Foto: Bruna Vieira/TV Globo

As investigações

Segundo os investigadores os áudios mostram que houve uma perseguição pelas ruas de Paraisópolis e que os PMs pediram reforço via rádio. Os registros apontam também que os policiais chamaram o resgate para socorrer as vítimas.

Os agentes do 16º Batalhão de Policia Militar Metropolitano, afirmaram que faziam a Operação Pancadão em Paraisópolis, quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. Ainda segundo a PM, a dupla fugiu em direção ao baile funk atirando, provocando tumulto.

Equipes da Força Tática, que foram reforçar a ação, afirmaram que levaram pedradas e garrafadas. Os policiais, então, revidaram com munições químicas para dispersão.

 
Moradores e familiares de vítimas da ação da PM em Paraisópolis seguram faixas durante protesto contra a violência policial — Foto: Reprodução/TV Globo

Moradores e familiares de vítimas da ação da PM em Paraisópolis seguram faixas durante protesto contra a violência policial — Foto: Reprodução/TV Globo

O que dizem os moradores

Os moradores e frequentadores do baile da Dz7 contradizem a versão da polícia. Segundo eles, os policiais chegaram e fecharam duas ruas onde acontecia o baile (as esquinas da Ernest Renan com a Herbert Spencer e Rodolf Lotze), os frequentadores se assustaram com a ação e houve corre corre.

Os frequentadores do baile afirmam que a polícia agiu com truculência e agressividade, atirando com armas de fogo, bombas de gás e balas de borracha.

Os parentes das nove vítimas suspeitam que elas morreram pisoteadas ou por conta de agressões cometidas por policiais.

No noite de sábado (7) o baile funk da DZ7 voltou a ocupar as ruas da comunidade. O evento teve a presença de religiosos, público reduzido e homenagem às vítimas.