Equipes do 31° BPM localizaram e prenderam o suspeito na favela César Maia, em Vargem Pequena, na Zona Oeste. Um outro homem que seria da milícia de Zinho foi preso em flagrante com armas e munição.

Milicianos que ordenaram os ataques na Zona Oeste do Rio, na última segunda-feira (23), ofereceram R$ 500 por cada ônibus incendiado, segundo apurou o g1. A orientação era que a ação fosse filmada para que a quantia fosse paga.

A ordem, no entanto, foi repassada sem critério e, com isso, 35 ônibus acabaram queimados. Foi o dia com mais coletivos incendiados a mando de criminosos na história da cidade, segundo o Rio Ônibus.

O ataque teria como objetivo garantir a fuga do miliciano Luís Antônio Da Silva Braga, o Zinho, que estaria na região.

A polícia ouviu em um rádio apreendido um alerta para que o “Zero” fosse protegido. “Zero” é como Zinho é chamado internamente pelo bando.

Mais dois presos

Policiais militares do 31° BPM (Recreio dos Bandeirantes) prenderam, nesta quarta-feira (25), mais um suspeito de participar dos ataques.

Wellington Silva Mendes de Mesquita, de 40 anos, seria o homem que aparece em um vídeo incendiando um ônibus durante a série de ataques da milícia controlada por Zinho.

De acordo com as investigações, Wellington aparece nas imagens de blusa preta.

Localizado e preso na favela César Maia, em Vargem Pequena, também na Zona Oeste, Wellington foi levado para a 42ª DP (Recreio), onde ficará à disposição da Polícia Civil para as investigações.

Um outro homem, apontado como integrante da milícia de Zinho, foi preso em flagrante na comunidade da Carobinha, em Campo Grande, na Zona Oeste, após cruzamento de dados e um trabalho de inteligência.

Ele foi autuado por porte ilegal de arma de fogo e constituição de milícia privada. Contra ele há 4 mandados de prisão por roubo.

Com o miliciano foram encontrados uma pistola calibre 9mm, carregador, munição e fardamento militar.

Passageira gritou por socorro

A TV Globo teve acesso a um vídeo que mostra o momento que um criminoso joga combustível em um dos veículos e começa o incêndio. Nas imagens é possível ouvir os gritos de pessoas que estavam perto do ônibus.

“Tem gente no ônibus, gente do céu. Desce do ônibus. Cadê o motorista?”
O caos na Zona Oeste foi provocado pela morte do miliciano Matheus da Silva Rezende, de 24 anos, sobrinho de Zinho. Matheus também era conhecido como Teteu e Faustão.

Em outro vídeo, um criminoso foi flagrado ateando fogo a um ônibus BRT na Magarça, em Guaratiba. Pelas imagens é possível ver o momento em que o homem dá início ao incêndio pela porta da frente do veículo.

Duas pessoas passavam de moto próximo ao local. Não se sabe se elas davam cobertura ao criminoso.

Uma câmera de segurança do BRT também flagrou passageiros sendo expulsos do ônibus antes de um ataque criminoso.

Segundo chefe da milícia

Após a morte de Faustão, apontado como sucessor de Zinho, quem deve ocupar o segundo principal posto na maior milícia do Rio é Rui Paulo Gonçalves Estevão, o Pipito.

De acordo com o setor de Inteligência das polícias do Rio, o grupo já está se organizando para colocar o criminoso no comando.

Nesta segunda (23), criminosos ordenaram ataques a 35 ônibus na Zona Oeste da cidade após a morte de Faustão. A polícia do estado acredita que a ordem tenha partido de Pipito.

De acordo a polícia, Pipito entrou para a milícia em 2017, quando o grupo paramilitar era chefiado por Carlos Alexandre da Silva Braga, o Carlinhos Três Pontes.

Ele já foi um dos homens de confiança de Wellington da Silva Braga, o Ecko, tio de Faustão, e chegou a ser preso em 2018 com duas pistolas em casa.

Na denúncia da Operação Dinastia, do Ministério Público e da Polícia Federal, Pipito era tratado como chefe da milícia na comunidade de Antares, em Santa Cruz.

A região é considerada estratégica pela milícia, e antes era dominada pelo Comando Vermelho. O tráfico de drogas, no entanto, continuou dando lucro para a milícia na região.

Em uma das mensagens interceptadas, Pipito aparece em conversas com um miliciano chamado Flex. No diálogo, ele pede auxílio para elaborar a escala das “guarnições” da milícia, responsáveis pelo patrulhamento da região de Antares.

Pipito entrou no comando de uma milícia dividida, cheia de disputas internas desde a morte de Ecko, no Dia dos Namorados em 2021. Um dos integrantes antigos do grupo, Danilo Dias Lima, o Tandera, se tornou rival de Ecko e formou uma outra milícia.

Além da disputa entre milícias rivais, o grupo briga por territórios com facções criminosas, como a que é liderada por Wilton Carlos Rabelo Quintanilha, o Abelha.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o miliciano foi solto em 2020, beneficiado por uma decisão da justiça que permitiu a saída temporária durante a pandemia.

Considerado como um homem de guerra, ele tem duas prisões decretadas pela Justiça. Um dos mandados de prisão foi expedido no dia 17 de outubro, após o miliciano ser apontado com um dos responsáveis pela execução de um homem.

Segundo a polícia, a vítima teve o corpo carbonizado. Apesar das investigações, o cadáver até hoje não foi localizado. A suspeita é que Pipito e outros três milicianos também investigados pelo crime, incluindo Zinho, tenham dado sumiço ao corpo.

 

Deixe um comentário