A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 70ª fase da Operação Lava Jato para cumprir 12 mandados de busca e apreensão. A investigação apura suspeita de que três empresas tenham conseguido informações privilegiadas e se beneficiado em ao menos 200 contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobras que somam mais de R$ 6 bilhões.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa afirmou que há indícios de corrupção desde o afretamento dos navios, passando pela abastecimento até a carga que era transportada. Ele disse que a o esquema de corrupção era muito sintomático.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos para as seguintes cidades:

  • São Paulo (SP)– 1
  • Rio de Janeiro (RJ) – 10
  • Niterói (RJ) – 1

Até o momento, não foi informado o balanço do que foi apreendido.

Começo da Lava Jato

Segundo a PF, esta nova etapa é continuidade de investigações que remontam o começo da Lava Jato, em 2014. São apurados os crimes de corrupção de agentes públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As irregularidades são de responsabilidade da Diretoria de Abastecimento, de acordo com a PF.

Athayde Ribeiro Costa disse que chamou a atenção a apreensão de um celular, em 2015, pertencente ao ex-tesoureiro do Progressistas João Cláudio Genu, em que foram encontradas conversas que mostravam o esquema de corrupção. Genu já foi condenado pela Lava Jato.

G1 tenta contato com a defesa de Genu e com o partido.

O procurador também disse que Genu gerenciava o esquema de corrupção na área de afretamento de navios. Genu, conforme Athayde Ribeiro Costa, coletava valores e mantinha interlocução com Paulo Roberto Costa – ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, também já condenado na Lava Jato e delator na operação.

Assim, Genu tinha consciência das demandas da Petrobras e sabia quais contratos seriam celebrados, ainda segundo o procurador.

Empresas alvos

Quatro empresas são alvos das buscas desta quarta-feira. São elas: Maersk, Tide Maritime, Ferchem e Gandra Brokerage, conforme a RPCapurou.

Até por volta de 9h30, o G1 não havia conseguido contato com as empresas citadas e com a Petrobras.

O procurador Athayde Ribeiro Costa ciou as empresas Tide Maritime e Ferchem como sendo intermediárias.

O valor de R$ 6 bilhões dos contratos, de acordo com Ricardo Hiroshi Ishida – delegado regional de investigação e combate ao combate ao crime organizado da PF – equivale a três meses do Bolsa Família.

Suspeitas

A suspeita da PF é de que as empresas foram beneficiadas com informações privilegiadas da programação de contratação de navios utilizados para transporte marítimo de petróleo e derivados da Petrobras.

Dessa maneira, tiveram vantagem competitiva na captação dos negócios. De acordo com a PF, há evidências de pagamentos de propina a funcionários da Petrobras.

‘Óbolo’

Esta fase foi batizada de “Óbolo”. Cerca de 50 policiais federais participaram da ação.

A PF explicou que o nome desta etapa da Lava Jato faz referência à moeda que, de acordo com a mitologia grega, era usada para remunerar o barqueiro Caronte. Era ele que conduzia as almas por meio do rio que separava o mundo dos vivos dos mortos.

O procurador da República Marcelo Ribeiro afirmou que esta etapa não foi estourada antes devido à falta de informações que, agora, o Ministério Público Federal (MPF) tem.

De acordo com Marcelo Ribeiro, elementos oriundos de outras fases, inclusive feitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e de delações como premiadas – como a do Paulo Roberto Costa – foram usados para a deflagração desta 70ª etapa.

13 fases em 2019

Em 2019, foram deflagradas 13 fases da Lava Jato.

Ao todo, segundo o delegado Ricardo Hiroshi Ishida, foram 252 mandados judiciais ao longo deste ano. Desses, 236 foram de busca e apreensão, dez de prisão temporária e seis de prisão preventiva.

O delegado disse que a quantidade baixa de prisões se deve à questão de esta etapa tratar de fatos do início da Lava Jato.