Foram 10 mortes de mulheres por questões de gênero no último mês, contra três em janeiro de 2019. Casos recentes, citados no levantamento, ocorreram em Erechim, Parobé, Porto Alegre (2), São Leopoldo, Campo Bom, Canela, Nova Petrópolis, Torres e Venâncio Aires.

O número de feminicídios triplicou em janeiro deste ano no Rio Grande do Sul. Foram 10 mortes de mulheres por questões de gênero no último mês, contra três em janeiro de 2019. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta segunda-feira (10).

Os 10 casos recentes, citados no levantamento, ocorreram em Erechim, Parobé, Porto Alegre (2), São Leopoldo, Campo Bom, Canela, Nova Petrópolis, Torres e Venâncio Aires.

No dia 11 de janeiro, uma mulher foi morta a tiros em um supermercado em Canela, na Serra. Roselane Cândida da Silva tinha 45 anos. O suspeito não tinha um relacionamento com ela, mas a seguia. Após o crime, ele se matou.

Roselane havia denunciado suspeito à polícia 19 dias antes do crime. Mas, segundo a Polícia Civil, o caso não se enquadrava na Lei Maria da Penha.

“A obsessão do agressor pela vítima, não aceitar que ela não queira manter um tipo de relacionamento com ele, isso é muito típico de uma discriminação de gênero ou menosprezo da condição de mulher. Mas isso não é o suficiente para o enquadramento na Lei Maria da Penha”, explica a delegada Tatiana Bastos, titular da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre.

Segundo a delegada, é necessário que a violência de gênero ocorra dentro de relações domésticas, familiares, e em relação intima de afeto para que seja vinculada às diretrizes da lei.

“Não há possibilidades de deferimento de medidas protetivas de urgência ou mesmo de enquadramento em todo rito diferenciado da Lei Maria da Penha se não se enquadra em uma dessas três possibilidades da lei.”

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento que mulher foi morta a tiros dentro de supermercado de Canela — Foto: Reprodução
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento que mulher foi morta a tiros dentro de supermercado de Canela — Foto: Reprodução

Outro caso de feminicídio ocorreu no dia 20. Uma mulher de 37 anos foi morta dentro do carro a caminho do trabalho. Quatro dias após o crime, o suspeito foi encontrado morto. A polícia acredita que ele se matou.

Conforme a delegada Cristiane Ramos, é importante que se faça a denúncia.

“A mulher muitas vezes está há tanto tempo inserida em um ciclo de violência que nem percebe. Por isso, o suporte da família e de amigos muitas vezes é essencial para ela romper esse ciclo e tomar coragem de fazer a denúncia. Quanto antes a comunicação às autoridades é feita, menores são as chances de se chegar ao ponto de uma tentativa de feminicídio”, explica a delegada.

Diminuição

Outros indicadores de violência contra a mulher tiveram diminuição. As tentativas de feminicídio tiveram queda de 27% – foram 44 casos em janeiro do ano passado contra 32 no último mês.

Casos de ameaça diminuíram 10%, e lesão corporal, 1,5%.

O número de ocorrências de estupro foi de 184 em janeiro do ano passado contra 134 no último mês. Isso representa uma queda de 27%.