Coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, projeto ‘UTI Visitas’ foi destacado em publicação internacional por apresentar resultados positivos a parentes de pessoas internadas, como redução de estresse, ansiedade e depressão.

Estudo aponta que visita de familiares aos pacientes internados beneficia o tratamento
Estudo aponta que visita de familiares aos pacientes internados beneficia o tratamento

Um projeto, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, demonstrou os benefícios de ampliar o tempo de permanência de familiares ao lado de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). As descobertas do estudo ganharam destaque no Jornal da Associação Americana de Medicina, um dos mais importantes do mundo.

A iniciativa foi batizada como ‘UTI Visitas’. Trinta e seis UTIs em 16 estados colocaram a ideia em prática, adotando um modelo de visita familiar flexibilizada. O tempo médio de visita, que antes era de uma hora e meia, passou para cinco horas.

“Com o estudo, se viabilizou nesses hospitais, mesmo sem modificar estrutura ou contratar equipes, que poderiam modificar o horário de visita, para que todos os pacientes tenham um acompanhante por maior tempo na UTI, independentemente de classe social, de localização”, observa a co-autora da pesquisa, Daiana Barbosa.

Redução de ansiedade, estresse e depressão

Maior tempo de visita em UTIs reduz transtornos entre familiares de pacientes, segundo estudo — Foto: Reprodução/RBS TV
Maior tempo de visita em UTIs reduz transtornos entre familiares de pacientes, segundo estudo — Foto: Reprodução/RBS TV

Diferentemente do que se acreditava, a presença de familiares junto a pacientes não trouxe efeitos indesejáveis, como infecções dos internados ou desorganização de cuidados assistenciais.

Para os parentes, a iniciativa se mostrou positiva, já que não é raro constatar a ocorrência de níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão entre quem acompanha o tratamento de um paciente. Conforme o hospital, em aproximadamente 30% dos casos, os familiares acabam desenvolvendo transtornos após a alta.

“O estudo demonstrou que essa proximidade, ela foi benéfica em reduzir pela metade os sintomas de ansiedade e depressão, melhor que muito medicamento antidepressivo”, comenta o líder do projeto, Régis Rosa.

“É um remédio potente, barato e sem efeitos adversos capaz de proteger a saúde mental dos familiares”, complementa.

Os benefícios da iniciativa foram comprovados pela família do arquiteto e pintor Walter Jugo Balestra, que se recupera de uma crise decorrente de um enfisema pulmonar em uma UTI.

Sua filha, a arquiteta Antônia Balestra, comenta como é melhor estar ao lado do pai nesse momento. “Quando não tem acesso, fica bem angustiado e preocupado. Então, a gente poder estar junto com o parente, o pai, não tem preço, é muito importante”, diz.

“É maravilhoso ter isso por perto, não tem coisa melhor. Se te permitem estar junto, bom, é a perfeição”, concorda Walter.