Cerca de 10 mil animais estão enterrados no local. Dono de cemitério teve cachorro que o acompanhou nas batalhas da Guerra do Vietnã.

Nguyen Thi Xuan Trang faz homenagem a seu pet em cemitério de Hanói, no Vietnã, nesta quinta-feira (15)  — Foto: Nhac Nguyen / AFP
Nguyen Thi Xuan Trang faz homenagem a seu pet em cemitério de Hanói, no Vietnã, nesta quinta-feira (15) — Foto: Nhac Nguyen / AFP

Dezenas de donos de animais de estimação falecidos aproveitam a tradição do “Mês Fantasma”, em que se prepara em todo Vietnã um banquete em homenagem aos ancestrais mortos, para lembrar seus pets em um cemitério de animais de estimação de Hanói.

Nesta quinta-feira (15), no templo “Te Dong Vat Nga” (“todas as vidas são iguais” em uma tradução livre do vietnamita) foi possível ver salsichas, uvas, leite e bolos nas lápides de cães e gatos.

Nguyen Bao Sinh, dono do cemitério para animais de estimação, em Hanói, no Vietnã, participa de celebração nesta quinta-feira (15)   — Foto: Nhac Nguyen / AFP
Nguyen Bao Sinh, dono do cemitério para animais de estimação, em Hanói, no Vietnã, participa de celebração nesta quinta-feira (15) — Foto: Nhac Nguyen / AFP

O carismático budista apaixonado por cães que administra o cemitério de pets de Hanói acredita firmemente que a alma dos animais deve ser tratadas com a mesma dignidade que a dos humanos.

“Nós amamos cães e gatos não apenas nesta vida, mas também na outra vida”, afirma Nguyen Bao Sinh, que inaugurou este cemitério há 50 anos.

Ele diz já ter cremado, ou enterrado, em torno de 10 mil animais – incluindo tartarugas, pássaros, peixinhos e outros mais exóticos – e cobra de US$ 45 a US$ 65 por ano para que os donos possam ter um túmulo com uma minilápide para seus animais de estimação.

“É um preço baixo a pagar para quem quer ter certeza de que seu animalzinho ficará confortável após a morte”, explica.

“Meu Bon merece ter um lugar de descanso decente de forma permanente para que ele encontre paz”, diz Nguyen Anh Minh à AFP depois de deixar leite, iogurte e uvas no túmulo de seu husky siberiano que morreu no início deste ano.

Para Nguyen Thi Xuan Trang, ter dado a seu cachorro Quoc – que ela tratava como um filho – um enterro decente trouxe paz de espírito para ela.

“Eu trouxe amendoim e um bolinho, porque essas eram as comidas favoritas dela”, acrescenta.

‘Animais e humanos são iguais’

Velas acesas e incenso são acesos em homenagens aos animais de estimação enterrados em cemitério de Hanói, no Vietnã  — Foto: Nhac Nguyen / AFP
Velas acesas e incenso são acesos em homenagens aos animais de estimação enterrados em cemitério de Hanói, no Vietnã — Foto: Nhac Nguyen / AFP

O proprietário do cemitério, Sinh, conta que as pessoas achavam que ele era louco por abrir esse tipo de lugar em um país onde carne de cachorro e de gato é, às vezes, oferecida como itens de menu em muitos restaurantes.

Embora os cães e gatos agora sejam mais tratados como animais de estimação no Vietnã, não é incomum ver cães confinados em jaulas para serem comprados para virar comida, ou certas partes de animais vendidas ilicitamente, como chifre de rinoceronte, ou escamas de pangolim usadas na medicina tradicional oriental.

Sinh, um ex-soldado cujo cachorro o acompanhou nas batalhas durante a Guerra do Vietnã, espera que o cemitério de pets ajude as pessoas a verem os animais sob uma nova luz – e que elas espalhem uma mensagem de bondade em relação a estes bichinhos.

“Animais e humanos são iguais. Quando você ama um animal, você jamais será cruel com um ser humano”, enfatiza.