Home / Geral / Agosto Dourado: um mês em defesa do aleitamento materno e seus benefícios

Agosto Dourado: um mês em defesa do aleitamento materno e seus benefícios

Em 2026, a SMAM (Semana Mundial do Aleitamento Materno) será centrada no tema Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona. Essa proposta é uma diretriz internacional da WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) que orienta as atividades programadas para o Agosto Dourado.

Durante este mês, o Ministério da Saúde enfatiza a importância de proteger, promover e apoiar a amamentação de forma abrangente. “O aleitamento materno é essencial para garantir uma nutrição adequada, assegurar a segurança alimentar e contribuir para a redução da pobreza no Brasil”, afirma.

A Semana Mundial do Aleitamento Materno em 2026 visa destacar a relevância de reconhecer, valorizar e expandir estratégias que já mostraram eficácia na proteção e promoção do aleitamento materno.

No mês de agosto de 2024, o Brasil se comprometeu a alcançar 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, superando assim a meta de 60% estabelecida pela Assembleia Mundial da Saúde em novembro do mesmo ano.

O Brasil tem avançado significativamente nesse aspecto. Os dados mostram que, na década de 1980, apenas 4,7% das crianças eram alimentadas exclusivamente com leite materno, enquanto em 2019 esse percentual subiu para 45,8%, segundo informações da primeira edição do Enani (Estudo Nacional de Nutrição Infantil), realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria

A presidente do DCAM-SBP (Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria), Rossiclei Pinheiro, em entrevista à Agência Brasil, destacou os desafios impostos pela desinformação e pelo assédio comercial que médicos enfrentam ao serem pressionados pela indústria para prescrever fórmulas infantis para crianças pequenas.

“Observamos um intenso marketing afirmando que essas fórmulas podem substituir o leite materno, o que não é verdade. Há um lobby ativo nas proximidades dos hospitais, nas redes sociais e nos consultórios médicos”, alertou.

Exceções para prescrever fórmulas

A especialista ressalta que as fórmulas são seguras e necessárias apenas quando recomendadas por um pediatra ou nutricionista.

De acordo com a pediatra, as fórmulas infantis são consideradas alimentos ultraprocessados e devem ser utilizadas apenas em situações específicas. Isso inclui mães com contraindicações médicas para amamentar (como aquelas vivendo com HIV), casos em que a amamentação não é viável ou não é bem-sucedida, além de bebês com alergias alimentares.

“Somente médicos, preferencialmente pediatras ou nutricionistas, estão autorizados a prescrever fórmulas infantis até os 12 meses. Contudo, atualmente qualquer mãe pode adquirir essas fórmulas em farmácias sem orientação profissional”, observou.

Nos últimos cinco anos, segundo Rossiclei Pinheiro, a Sociedade Brasileira de Pediatria tem se empenhado em aprimorar a formação acadêmica dos pediatras sobre os critérios necessários para a prescrição dessas fórmulas e no manejo prático da amamentação diante das dificuldades que podem surgir. “O leite materno é sempre a melhor opção para toda a vida da criança”, reforçou a Dra. Rossiclei Pinheiro.

Redução de custos

A pediatra também ressaltou os benefícios socioeconômicos associados à promoção do aleitamento materno, alinhando-se aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU:

“As famílias podem reduzir seus gastos financeiros ao não precisarem comprar fórmulas ou medicamentos, visto que os bebês amamentados tendem a adoecer menos. Além disso, isso resulta em menos faltas ao trabalho. A mãe também poderá planejar seu retorno ao trabalho com mais tranquilidade sabendo que seu filho estará mais saudável”, afirmou Dra. Rossiclei Pinheiro.

No Brasil, existe a NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância), respaldada pela Lei 11.265/2006, que proíbe médicos pessoas físicas de receber patrocínios financeiros ou materiais.

Além disso, essa legislação restringe propagandas relacionadas a mamadeiras, chupetas e bicos artificiais; proíbe sua distribuição para recém-nascidos considerados de alto risco; e determina que as embalagens desses produtos não apresentem imagens crianças ou textos que possam gerar dúvidas sobre a capacidade das mães em amamentar.

Tais regulamentações estão alinhadas às preocupações expressas pela Sociedade Brasileira de Pediatria sobre como o uso inadequado de bicos artificiais pode prejudicar o processo da amamentação ao causar:

  • A confusão entre bicos devido à alteração na técnica de sucção da criança ocasionada pelo bico artificial;
  • Menor estímulo à produção láctea;
  • Desmame precoce.

“Desencorajamos o uso de bicos artificiais como chupetas e mamadeiras que possam competir com o ato da amamentação”, concluiu Rossiclei Pinheiro.

Porto Alegre

A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) em Porto Alegre está organizando diversas atividades durante todo o mês no HMIPV (Hospital Materno Infantil Presidente Vargas) e nas unidades básicas de saúde.

Mães lactantes residentes na cidade que apresentem um excesso diário mínimo de leite (cerca de 50ml) e estejam clinicamente saudáveis podem fazer doações no HMIPV.

“Essas doações são fundamentais para apoiar o desenvolvimento dos bebês prematuros internados na UTI neonatal cujas mães ainda não conseguem produzir leite suficiente”, informou a SMS por meio de comunicado oficial.

O Banco de Leite Humano do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas localiza-se na Avenida Independência, 661/2º andar/bloco A. Para mais informações, entre em contato pelo telefone 3289-3334 ou pelo email [email protected].

Marcado: